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Vasculhar Lendas

Juntos vamos mergulhar nas maravilhosas lendas, para já de Portugal, por isso... Era Uma Vez ...

Juntos vamos mergulhar nas maravilhosas lendas, para já de Portugal, por isso... Era Uma Vez ...

Vasculhar Lendas

20
Out23

Lenda do Pátio do Carrasco

Bri Atano

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Hoje vamos falar sobre a capital, Lisboa, e sobre uma das muitas lendas que assombram a cidade. Situado em frente ao Largo do Limoeiro, junto à antiga cadeia, está o Pátio do Carrasco, também conhecido como "O Negro", vamos falar um pouco sobre Luís dos Santos e mergulhar em mais uma lenda assustadora de Portugal.

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No ano de 1806, numa família honrada e muito respeitada de Capeludos, nasceu um bebé de seu nome Luís António Alves dos Santos, seu pai Inácio Alves dos Santos e sua mãe Joana Bernarda Pimenta, garantiram que o seu filho tinha uma infância feliz junto da sua restante família. 

Perto de 1822, Luís teria entre 16/17 anos, quando partiu para Lisboa, alistando-se na vida militar, que foi quando a sua vida começou a não correr tão bem, pois rapidamente notou que não estava enquadrado sobre a realidade que se vivia na capital e ficando acamarado com recrutas pouco atinados, não o ajudou. Certo dia aconteceu algo que mudaria a sua vida para sempre, um assassinato, durante um assalto a uma casa de gente rica no Campo Grande. Junto com alguns colegas, tornou-se refratário e regressou à sua província transmontana, vivendo como "fora-de-lei". Foi preso em Vila Pouca de Aguiar, onde respondeu por 18 crimes que lhe foram atribuídos, mas que ele sempre negou. Confessou sim, que matara por duas vezes, mas em legítima defesa.

Entre perseguições por parte de absolutistas e alistamento na cavalaria, ainda se viu misturados em "gangs", permaneceu numa situação de marginalidade, procurando sempre iludir as autoridades, até ser capturado de vez pela polícia, já com mais de 30 anos. (Existe um romance histórico e biográfico, escrito por Leite Bastos, de seu nome "O Último Carrasco", que detalha a vida de Luís dos Santos e que recomendo a leitura)

Em Junho de 1845, como refere Maria João Medeiros, em "Alamanaque do crime português" - 2021, que chegou a proposta: passar a matar (legalmente) para não ser morto. Terá sido a sua esposa a convencê-lo  a se tornar, Executor de Alta Justiça - designação do carrasco real, uma função maldita e mal vista por todos, mas que Luís Alves aceita a fim de lhe ver comutada a pena de morte. 

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O apelido "O Negro", teve a ver com a sua pose austera, caminhando devagar e firme em direcção ao cadafalso, onde os criminosos e fora-de-lei, eram sentenciados e mortos à vista de todos numa praça pública. O carrasco vestia preto, de cima a baixo, um capuz igualmente preto que lhe tapava toda a cabeça, apenas um orifício para ver o que o rodeava. Os populares que iam assistir à morte por enforcamento ou por lâmina afiada começavam a afastar-se à sua passagem, reassumindo o seu lugar, entre o curioso e o receoso. Mesmo sem nunca ter executado ninguém, "O Negro" era fantasmagórico, tenebroso. 

Como militar, Luís Alves, sempre foi considerado um homem valente, com três condecorações atribuídas, antes de se tornar refratário e de tornar a sua vida num inferno conturbado que o fez morrer só, repudiado pela família, esquecido, triste, pobre e doente de epilepsia e asma, a 18 de Agosto de 1873, num bairro em Vila Pouca de Aguiar e não se sabe ao certo, nem onde é a casa de família, nem onde se encontra sepultado.

 

Vamos agora à lenda:

Artur Pastor - Pátio do Carrasco

Imagem de Artur Pastor

O Pátio do Carrasco situa-se em Lisboa, hoje bastante degradado, mas foi aqui que terá vivido temporariamente Luís António Alves dos Santos, conhecido como “o Negro”, que foi o último carrasco de Portugal. 

A lenda conta que existe um túnel subterrâneo, que ia desde o Pátio do Carrasco à Prisão do Limoeiro, mesmo ao lado, e que seria usado para que o carrasco pudesse mais facilmente ir executar os seus deveres. A lenda conta também que, no local onde estaria essa passagem, ainda hoje se ouvem gritos, que seriam do próprio Luís, atormentado pelas mortes que causou.

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Imagem por Eduardo Portugal

É aqui que esta lenda se torna difícil de defender e entender: é possível que Luís Alves nunca tenha executado ninguém. Dizem que quando foi encarregue de o fazer, em Tavira, deu ao seu imediato o dinheiro que tinha consigo, para que o substituísse. Na época os carrascos usavam capuz, era possível trocarem de lugar sem que ninguém se apercebesse.

Será que Luís grita atormentado pelas mortes que causou na juventude? O carrasco lutou ao lado dos absolutistas, no século XIX, e confessou ter matado dois homens em legítima defesa. 

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Imagem por Tozé Fonseca

06
Out23

Lenda da Casa Amarela de Ovar

Bri Atano

Entramos oficialmente no mês onde se faz homenagem aos mortos, muitos chamam de Halloween outros de Noite das Bruxas. Vou tentar então trazer um pouco de lendas assustadoras, começando por esta que acontece na linda cidade de Ovar, que para quem não conhece, é uma cidade portuguesa que se situa no município de Aveiro, sendo a única população que possui este vocábulo em todo Portugal ou até no estrangeiro. 

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A primeira referência, conhecida, a este nome, é feita numa carta de 12 de Junho de 922, de Ordonho II da Galiza e Leão, na qual são doados ao Mosteiro de Crestuma "bens consideráveis, entre os quais se contam a igreja de S. Donato e a igreja de S. João". No documento, este local é referido como porto de obal, nome que faz referência ao então rio Obal (ou Obar), atual rio Cáster.

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(foto por João Elvas)

Agora que ficámos a conhecer melhor esta bela cidade, que com certeza tem mais lendas, vamos falar de uma que a maiorida da população Ovarense ou Vareiros conhecem, vamos mergulhar na lenda da Casa Amarela.

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Era uma vez, numa linda casa amarela, uma família rica que possuía uma filha única que, quando crescesse, seria a herdeira da família, que começou, eventualmente, a namorar com um rapaz pobre. O pai da rapariga era contra o namoro entre os dois e num acto de raiva atirou-os para um poço que se situava no jardim e deixou-os morrer lá. Dias se passaram e o pai foi encontrado enforcado no poço. A partir daí, é dito que as três entidades assombram a casa.

Várias pessoas que lá entraram ficaram amedrontadas: já tentaram demolir a casa ou restaurá-la, mas assim que o tentavam fazer, as máquinas desligavam-se do nada, ouviam-se gritos e via-se sangue a escorrer pelas paredes. Também tentaram colocar vidros nas janelas da casa, mas rapidamente, estes partiam-se misteriosamente. Graças a esses acontecimentos estranhos, os engenheiros não voltaram à casa.

Rumores dizem que houve também uma família de ciganos que decidiu morar na casa amarela, que entretanto fugiu devido às assombrações presentes.

Outra versão desta lenda, é que terá pertencido a um empresário que terá perdido a casa por causa de dívidas e ter-se-á suicidado lá dentro, jurando que “mais ninguém iria ficar com a casa”. O edifício está abandonado há décadas e consta que nem os residentes mais antigos da rua se lembram de a ver habitada por alguém. 

 

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Tentei cruzar informação de novo com pessoas ricas de Ovar, que lá terão habitado, dois nomes reçaltam, 1º e 2º Viscondes de Ovar, mas apenas se sabe que foram soldados um deles liberal, empresários que tiveram a sua morte antes de 1950 e alguns cuja informação não se encontra disponível em lado nenhum, no entanto existe dois que têm a sua morte perto da data, um deles em 1968 e o outro a 1959, invalidando também a morte por enforcamento, e nada mais se encontra datado apartir de 1800, visto que a ordem de construção da casa foi dada em 1952, nunca chegada a ser acabada. Deixando apenas a questão, que família notavél morava em Ovar por essa altura, sem o conhecimento do concelho? Será que a casa não terá sido acabada por falta de acordo ou ilegalidade? 

O que nos resta é apenas uma lenda, que podemos escolher acreditar ou não, mas demasiados relatos sugerem de facto que algo se passa nesta casa, mas a sua história, apenas as paredes o sabem.

27
Set23

Lenda da Torre da Princesa

Bri Atano

Vamos hoje viajar até Bragança, uma linda cidade situada a Norte de Portugal, faz fronteira com Espanha e hospeda a 2ª maior área protegida do país - Parque de Montesinho - assim como mais de cinco séculos de tradições sendo a mais conhecida, talvez, os Caretos. Mas não é sobre essa lenda, não hoje, que iremos falar, mas sim da Torre mais famosa do Castelo de Bragança, essa mesmo. Apresento-vos então a Lenda da Torre da Princesa.

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Era uma vez, há muito tempo, na povoação de Bemquerença, onde existia um castelo que albergava uma bela princesa orfã, que ali vivia com o seu tio, o senhor do castelo.

A princesa apaixonou-se por um nobre, valoroso e jovem cavaleiro, porém carente de recursos. Por esse motivo, o jovem partiu da aldeia numa longa jornada em busca de fortuna, prometendo retornar apenas quando se achasse digno de pedir a sua mão.

Anos se passaram, a jovem recusou todos os seus pretendentes esperando por o seu nobre cavaleiro, até que o seu tio, impaciente, prometeu-a a um amigo, forçando-a ao compromisso. Ao ser apresentada ao candidato do tio, a jovem confessou-lhe que o seu coração pertencia a outro homem, cujo retorno aguardava há anos.

A revelação enfureceu o tio, que decidiu, nessa mesma noite, se disfarçar como um fantasma e, penetrando por uma das duas portas dos aposentos da princesa, simulando ser o fantasma do jovem ausente, afirmou-lhe com voz lúgubre, que ela estava condenada para sempre à danação, caso não aceitasse o casamento com o novo pretendente. Prestes a obter um juramento por Cristo por parte da princesa, milagrosamente abriu-se a outra porta e, apesar de ser noite, um raio de sol penetrou nos aposentos, desmascarando o tio impostor.

Daí em diante, a princesa passou a viver recolhida na torre que hoje leva o seu nome, sem nunca mais ser obrigada a quebrar a sua promessa, e as duas portas passaram a ser conhecidas como Porta da Traição e Porta do Sol, respectivamente.

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Como não encontrei em registos, o que aconteceu à princesa orfã, resolvi tentar pesquisar um pouco sobre a monarquia portuguesa e algo me leva a crer que terá sido durante a Dinastia de Avis ou Dinastia Joanina. A Torre terá sido construída perto de 1438/39, aqui não sei o quão certa estarei mas os senhores do castelo seriam ou D. Afonso (1º Duque de Brangança) que esteve no poder até meados de 1433, onde terá sido substituído por D. Duarte I entre 1433-1438 e posteriormente por D. Afonso V, 1438-1481.

Mas é aqui que tudo se complica um pouco, principalmente porque quem estaria no poder seria D. Afonso V devido ao falecimento de seu pai e a torre pode apenas ter servido para passar uns dias ou ser mesmo um local de repouso e passagem, e temos duas opções:   pes_392155.jpg  800px-Hans_Burgkmair_d._Ä._006.jpg

No caso 1, aquando a morte de seu pai D. Duarte I por volta de 1438, D. Leonor teria sido deixada à responsabilidade de seus tios paternos, D. Pedro e D. Isabel de Borgonha. D. Leonor cresceu na corte, em Lisboa, e dos seus últimos anos em Portugal pouco se conhece. Especula-se em algumas fontes quanto os amores que um certo jovem fidalgo da altura lhe terá tido no fim da década de 40 daquela centúria, quando D. Leonor contava com 16 anos e o seu contrato de casamento era já negociado. Teria o jovem acesso à Infanta por intermédio de D. Guiomar de Castro, de quem era primo co-sobrinho pelo lado materno. Conta-se que passou a Itália na armada que levou a Infanta D. Leonor e que, após o casamento desta, abraçou a vida religiosa; segundo as mesmas fontes tê-lo-á feito por desgosto de ver a sua amada casada com outrem. Tomou ordens como Frei Amadeu e ficou conhecido para a história como Beato Amadeu.

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No caso 2, consta-se que D. Joana de Trastâmara, seria o fruto de uma traição entre D. Joana de Portugal e Beltrán de La Cueva, tornando-a assim filha ilegítima de D. Henrique IV de Castela e com isso vieram muitas guerras civis, mas também a procura de um marido para a filha, para esta não perder os seus direitos que estavam a ser ameaçados. Depois de várias hesitações diplomáticas, D. Joana acabou prometida em casamento ao seu tio, o Rei Cavaleiro, D. Afonso V de Portugal, que tomou como sua empresa de cavalaria defender os direitos da sua inocente e jovem sobrinha. Para este casamento foi necessária uma dispensa papal, dada a próxima consanguinidade entre os noivos. D. Afonso jurou defender os direitos da esposa e, por conseguinte, os seus próprios, ao trono de Castela. Existem rumores que D. Joana pode mesmo ser filha de D. Henrique IV de Castela, mas sem os restos mortais que foram perdidos no terramoto de Lisboa nunca se poderá ter o ADN para confirmar, apenas nos restam especulações sendo uma delas os factos que o historiador António Júnior, apresenta, facto após facto, argumento após argumento, documentando-se em fontes históricas bem identificadas, a tese de que D. Joana de Portugal terá sido inseminada artificialmente, ou pelo menos de forma assistida, com sémen de D. Henrique IV de Castela, através de uma “mestria” conduzida provavelmente pelo físico judeu de nome Yusef ben Yahia. 

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Mas de novo tudo isto são especulações pois era comum a recusa e as negociações de casamentos e apenas uma visão diferente sobre a Lenda da Torre da Princesa.

30
Dez22

Lenda Nihohonjin-Kasajisou

Bri Atano
Olá meu amigos, trago um lenda que não saberei dizer de onde teve a sua origem, apenas um texto lindo que encontrei por os grandes fios da Web e achei que valia a pena partilhar, trata-se de uma lenda de Ano Novo, e com tal vem-nos relembrar que nem sempre tudo corre como queremos e nada é mais importante que relembrar que acima de tudo devemos de ser bondosos e ter sempre um pouco de esperança, pois um ano acaba mas outro aí vem. Mergulhem nesta lenda maravilhosa.
 

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“Era uma vez, um lugar distante onde moravam um velhinho e uma velhinha. O velhinho fazia chapéus. Eles eram muito pobres, tanto que certo ano, na véspera do Ano Novo eles não tinham dinheiro nem para comprar os tradicionais bolinhos de arroz. Por isso, o velhinho foi para a cidade a fim de vender os chapéus. Ele pegou cinco chapéus e saiu. A cidade ficava muito longe e o velhinho caminhou por um campo muito extenso. Enfim, o velhinho chegou a cidade:
– Olha o chapéu! Chapéus finos! – Dizia o velhinho enquanto caminhava.
A cidade estava muito movimentada, com muitas pessoas fazendo os preparativos para o Ano Novo. Todos voltavam para casa após comprarem peixe, sakê e bolinhos de arroz. Mas ninguém comprou chapéu. No Ano Novo, ninguém sai para caminhar, por isso não há necessidade de chapéu.
O velhinho andou a cidade o dia todo, gritando, mas não conseguiu vender um só chapéu. E vendo que não tinha jeito, não comprou os bolinhos de arroz e resolveu ir embora.
Quando o velhinho saía da cidade, começou a nevar. O cansado velhinho, apesar do frio, continuou a caminhar pelo campo no meio da neve, quando ele viu a imagem dos Jizos (estátuas feitas de pedra). Estavam alinhados seis Jizos e sobre suas cabeças, havia bastante neve que respingava em seus rostos.
O velhinho de bom coração pensou: “Os Jizos devem estar com frio…” Ele passou a mão na cabeça dos Jizos e tirou a neve que estava acumulada. Depois,cobriu-os com os chapéus que não conseguira vender.
– É um chapéu que não teve saída, mas cubram-se com ele, disse o velhinho.
Mas só tinha cinco chapéus e os Jizos eram seis. Como faltava um chapéu, o velhinho pegou o chapéu que ele próprio usava e cobriu o Jizo.
– É um chapéu velho e sujo, mas cubra-se com ele, disse o velhinho. E o velhinho voltou a caminhar na neve e voltou para casa.
Quando o velhinho voltou para casa, como não estava com chapéu, ficou branco, todo coberto de neve. A velhinha viu e perguntou o que havia ocorrido.
E o velhinho disse:
– Na verdade, não consegui vender nenhum chapéu. No caminho de volta, vi os Jizos e imaginei que estivessem com frio, cobri-os com os chapéus e como faltou um, cobri com o meu.
Ouvindo essa conversa a velhinha ficou emocionada e disse:
– Que gesto nobre!
O velhinho e a velhinha comeram apenas arroz com conservas e entraram nas cobertas. A noite chegou… Já estavam deitados, quando ouviram vozes:
– “Entrega de Ano Novo! Onde é a casa do vendedor dos chapéus? Abra a porta vendedor!” Eles abriram a porta e ficaram assustados. Na frente da casa, havia muitas mercadorias: arroz, sakê, bolinhos de arroz, peixe, adornos de Ano Novo, cobertores quentes, etc. Os velhinhos olharam em volta e viram seis Jizos de chapéu indo embora. Os Jizos vieram retribuir um Feliz Ano Novo ao bondoso velhinho.”
 

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"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."

James R. Sherman 
 
11
Dez22

Lenda do Pinheiro de Natal

Bri Atano

Continuando com o tema de Natal, já alguém se perguntou porque é que enfeitamos pinheiros e não outro tipo de árvora qualquer? Pois bem, encontrei uma lenda pequenina mas maravilhosa, vamos viajar até Belém.

Era uma vez, há muito, muito tempo, junto do presépio, na noite de Natal, existiam três árvores: uma tamareira, uma oliveira e um pinheiro. Ao verem o Menino Jesus nascer, as três árvores quiseram oferecer-lhe um presente. A oliveira foi a primeira a oferecer, dando ao Menino Jesus as suas azeitonas. A tamareira, logo a seguir, ofereceu-lhe as suas doces tâmaras. Mas o pinheiro, como não tinha nada para oferecer, ficou muito triste. As estrelas do céu, vendo a tristeza do pinheiro, que nada tinha para dar ao Menino Jesus, decidiram descer e pousar sobre os seus galhos, iluminando e enfeitando o pinheiro. Quando isto aconteceu, o Menino Jesus olhou para o pinheiro, levantou os braços e sorriu! Reza a lenda que foi assim que o pinheiro – sempre enfeitado com luzes – foi eleito a árvore típica de Natal.

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Boas Festas!

10
Dez22

Lenda das Luzes de Natal

Bri Atano

Como todos sabem, no Natal temos o hábito de colocar luzes quer seja, no pinheiro, nas janelas, nas varandas e até mesmo nos telhados, mas alguém sabe o porquê de o fazermos? Pois bem, encontrei mais uma lenda que pode explicar parte desta nossa tradição, vamos então viajar.

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Era uma vez, numa terra para lá das montanhas e dos mares, uma família que teve um bebé de seu nome Jesus que viria a ser o salvador do Mundo. Para mostrar o seu apreço pelo recém-nascido, três reis magos realizaram a sua viagem, guiados apenas pela estrela de Natal, que ganhou também o nome de Estrela de Belém, a nossa conhecida estrela Polar. Essa estrela tinha quatro pontas que representavam os quatro pontos cardiais - Norte, Sul, Este, Oeste - e uma cauda comprida parecida com um cometa que possuía luz própria. Ficou assim associada a luz da estrela como a luz que Jesus Cristo teria no mundo, luz suficiente para iluminar a noite.

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Passaram-se os anos e a tradição mantinha-se, todos os anos na noite de Natal, quando era altura de ver o pinheiro de Natal, o pai ou o avô acendiam todas as velas por significarem a luz de Jesus. Até que em 1882, um senhor de seu nome Edward Johnson, amigo e sócio do inventor da lâmpada Thomas Edison, resolveu substituir as velas por uma série de luzes elétricas coloridas, algo que ele fez ao juntar oito lâmpadas com forma de pêra e com um único fio, mas a ideia não pegou muito, porque muitos americanos ainda não confiavam na eletricidade e as lâmpadas eram caras na época.

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Tudo mudou na década de 1920, quando as luzes pré-montadas da empresa General Electric se tornaram mais acessíveis e baratas, o que nos remete aos dias de hoje, onde encontramos luzes de todos os feitios, tamanhos formas, mas que todas representam o mesmo, a luz de Jesus.

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É possivel ver casa iluminadas com luzes, sendo nos EUA uma tradição fazer concurso de luzes de Natal, um evento de pirotecnia fantástico que recomendo a ver.

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Boas festas!

20
Nov22

Isabel de Aragão - Rainha Santa Isabel

Bri Atano

Estamos de volta, com talvez uma das mais conhecidas lendas de Coimbra, da sua padroeira, Isabel de Aragão, ou como ficou conhecida Rainha Santa Isabel. Existem com certeza muitas versões desta lenda, mas vou contar apenas uma, talvez a mais popular, mas para isso preciso que venham comigo até ao ano de 1271, para conhecer a lenda, precisamos de conhecer a protagonista. 

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 Era uma vez, num reino de seu nome Aragão, um reino cristão, onde o Rei D. Pedro II de Aragão e a sua esposa D. Constança de Hohenstaufen, princesa da Sicília, estavam à espera do seu primeiro bebé. Entre os meses de Janeiro e Fevereiro de 1271, não existe certezas aquando do dia ou mês, nascera Ysabel, a primeira herdeira da família. Ouvira-se que a princesa, havia nascido envolta numa pele que mostrava a sua conexão com o divino.  

Isabel, cresceu em Barcelona junto com a corte real, incluindo os seus cinco irmãos mais novos entre eles soberanos de renome como, Afonso III, o Franco, Conde de Barcelona e Rei de Maiorca, Jaime III, o Justo, Rei de Aragão e Frederico II, Rei de Sicília.  

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Era 1281, quando Isabel se vê casada com D. Dinis de Portugal, um casamento de interesses que se realizou na Capela de Santa Ágata no Palácio real de Barcelona. O seu casamento com o rei D. Dinis teve dois filhos, e a 3 de janeiro de 1290 nasceu o primeiro bebé, Constança, que se viria a casar em 1302 com o rei Fernando IV de Castela. Era 8 de Fevereiro de 1291 que nasceu o sucessor de D. Dinis ao trono de Portugal, D. Afonso IV. 

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Foram-se passando os anos e segundo se constava na altura, D. Dinis não lhe teria sido inteiramente devoto e visitara regularmente as freiras do Convento de Odivelas, futuramente renomeado para Mosteiro de São Dinis. Certa noite ao saber do sucedido, a rainha tê-lo-á seguido com as suas aias à noite, iluminando o caminho com archotes, e ao encontrá-lo apenas terá dito: 

 “Ide vê-las, ide vê-las, que estamos a alumiar o caminho" 

Com os tempos, de acordo com a tradição popular, uma corruptela de ide vê-las teria originado o moderno topónimo Odivelas e alumiar teria passado a Lumiar, a zona onde se teria encontrado o casal real. 

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Certo dia, a rainha saiu do Castelo de Leiria numa manhã de Inverno para distribuir pães aos mais desfavorecidos, um ato totalmente proibido. Surpreendida pelo soberano, que lhe inquiriu onde ia e o que levava no regaço, a rainha teria exclamado:  

“São rosas, Senhor!”  

Desconfiado, D. Dinis inquiriu:  

“Rosas, em janeiro?” 

Isabel expôs então o conteúdo do regaço do seu vestido e nele havia rosas, ao invés dos pães que ocultara.

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Além de ajudar os pobres, Isabel teve também um papel importante no que tocava manter a paz, em 1320 visitou o Principado da Catalunha, onde já teria estado aquando da viagem para se reunir com o rei português em 1282. Voltaria a visitá-lo em 1325, já viúva. 

Nesta década de 1320, o infante D. Afonso, herdeiro do trono, sentiu a sua posição ameaçada pelo favor que o rei D. Dinis demonstrava para com um seu filho bastardo, Afonso Sanches. O futuro D. Afonso IV declarou abertamente a intenção de batalhar contra o seu pai, o que quase se concretizaria na chamada peleja de Alvalade. No entanto, a intervenção da rainha conseguiu serenar os ânimos – pela paz assinada em 1325 nessa mesma povoação dos arredores de Lisboa, foi evitado um conflito armado que teria instabilizado o reino. Dinis morreu em 1325 e, pouco depois da sua morte, Isabel terá peregrinado ao santuário de Santiago, em Compostela na Galiza, fazendo-o montada num burro, e a última etapa a pé, onde ofertou muitos dos seus bens pessoais.

Recolheu-se por fim no então Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, vestindo o hábito da Ordem das Clarissas mas não fazendo votos (o que lhe permitia manter a sua fortuna usada para a caridade). Só voltaria a sair dele uma vez, pouco antes da morte, em 1336. 

Nessa altura, Afonso declarou guerra ao seu sobrinho, o rei D. Afonso XI de Castela, filho da infanta Constança de Portugal, e, portanto, neto materno de Isabel, pelos maus tratos que este infligia à sua mulher D. Maria, filha do rei português. Não obstante a sua idade avançada e a sua doença, a rainha Santa Isabel dirigiu-se a Estremoz, cavalgando na sua mula por dias e dias, onde mais uma vez se colocou entre dois exércitos desavindos e evitou a guerra. No entanto, a paz chegaria somente quatro anos mais tarde, com a intervenção da própria Maria de Portugal, por um tratado assinado em Sevilha em 1339. 

Isabel faleceu, tocada pela peste, em Estremoz, a 4 de julho de 1336, tendo deixado expresso em seu testamento o desejo de ser sepultada no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, onde em 1995 foi iniciada uma escavação arqueológica, após ter estado por 400 anos parcialmente submerso pelo rio Mondego. Sendo a viagem demorada, havia o receio de o cadáver entrar em decomposição acelerada pelo calor que se fazia, e conta-se que a meio da viagem debaixo de um calor abrasador, o ataúde começou a abrir fendas, pelas quais escorria um líquido, que todos supuseram provir da decomposição cadavérica. Qual não foi, porém a surpresa quando notaram que em vez do mau cheiro esperado, saía um aroma suavíssimo do ataúde. 

 

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Regressemos agora ao dia de hoje, Isabel terá sido uma rainha muito piedosa, passando grande parte do seu tempo em oração e ajuda aos pobres. Por isso mesmo, ainda em vida começou a gozar da reputação de santa, tendo este fama aumentado após a sua morte. Foi beatificada pelo Papa Leão X em 1516, vindo a ser canonizada, por especial pedido da dinastia filipina, que colocou grande empenho na sua canonização, pelo Papa Urbano VIII em 1625. É reverenciada a 4 de julho, data do seu falecimento. 

Com a invasão progressiva do convento de Santa Clara-a-Velha de Coimbra pelas águas do rio Mondego, houve necessidade de construir o novo convento de Santa-Clara-a-Nova no século XVII, para onde se procedeu à trasladação do corpo da Rainha Santa. O seu corpo encontra-se incorrupto no túmulo de prata e cristal, mandado fazer depois da trasladação para Santa Clara-a-Nova. 

No século XVII, a rainha D. Luísa de Gusmão, regente em nome de seu filho D. Afonso VI, transformou em capela o quarto em que a Rainha Santa Isabel havia falecido no castelo de Estremoz. 

 

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Uma história mais aprofundada poderá ser encontrada em Rainhas de Portugal - Isabel de Aragão - A Monarquia Portuguesa (sapo.pt) 

 

19
Nov22

Lenda da Moura da Ponte de Chaves

Bri Atano

Já ouviram falar do terceiro arco da ponte de Chaves? Pois bem, teremos então de viajar até ao século XII, para o ficarmos a conhecer. 

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Era uma vez, numa pequena e humilde cidade de seu nome Chaves, outrora conhecida como Aquae Flaviae, uma jovem moura que ficara noivo do primo Abed, filho de um guerreiro mouro que virara alcaide, ou seja, tornara-se governador de uma vila normalmente acastelada ou fortificada. A jovem, apesar de ter aceite o noivado, não nutria sentimentos por o seu futuro marido. 

Alguns anos se passaram e os cristão voltaram para reconquistar Chaves e a nossa jovem moura foi tomada refém por um guerreiro cristão. A moura e o seu raptor, o guerreiro cristão, perderam-se de amor um pelo outro e viviam apaixonados e felizes, enquanto o seu prometido e o tio fugiram de Chaves. Os cristãos ganharam a guerra e restabeleceu-se a paz. 
Abed, que sabia do caso, nunca perdoou, e voltou à cidade vestido de mendigo, para se vingar. Esperou-a na ponte e, quando a viu, pediu-lhe uma esmola. A moura, que lhe estendeu a mão, cruzou olhares com ele e o mouro rejeitado rogou-lhe a praga:  

Para sempre ficarás encantada sob o terceiro arco desta ponte. Só o amor de um cavaleiro cristão, não aquele que te levou, poderá salvar-te.”  

A moura desapareceu como por magia, e só umas poucas damas cristãs foram testemunhas. 
O amado procurou a sua moura por toda a parte e nunca a encontrou, acabando por morrer de tristeza e saudade. E a moura encantada da ponte nunca mais foi vista.  

Anos mais tarde, diz o povo que, numa noite de S. João, passava um cavaleiro cristão pela ponte quando ouviu murmúrios e socorros. Então, uma voz de mulher pediu-lhe para descer ao terceiro arco da ponte e dar-lhe um beijo. O jovem cristão, com medo, fugiu. Assim, ficou a moura da ponte de Chaves encantada para sempre. Agora, nas noites de S. João, é possível ouvir os lamentos da moura encantada, que está eternamente castigada por se ter apaixonado. 

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